Presidenciáveis não têm propostas para infância e adolescência, conclui análise
Se depender da avaliação das principais entidades que defendem os direitos da criança e do adolescente no País, os dois candidatos à Presidência da República – Geraldo Alckmin (PSDB) e Luis Inácio Lula da Silva (PT) - estão reprovados. Uma avaliação feita por especialistas da Universidade de São Paulo (USP) sobre os programas de governo dos dois candidatos aponta que ambos não possuem propostas específicas e detalhadas para a área. A análise foi feita a pedido da Agência de Notícias de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). O plano de governo de Geraldo Alckmin (PSDB), que contém 32 diferentes temas distribuídos em 216 páginas, foi considerado “genérico” no que se refere a propostas para crianças e adolescentes. O plano de governo apresentado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o período 2007-2010 para a área da infância e juventude também é vago.Segundo os especialistas, o plano do candidato traz avanços no sentido de consolidar, fortalecer e universalizar políticas e programas atuais, mas também não especifica como isso tudo será realizado. “Sem as especificações, o plano de governo acaba virando promessa”, criticou a cientista política Glória Carneiro, da Universidade de Campinas (Unicamp). Os especialistas também criticaram a falta de informações no documento sobre o orçamento necessário para manter e ampliar o Bolsa Família. Segundo levantamento feito pela ANDI, o governo Lula investiu entre os anos de 2003 e 2005 apenas 3% do Orçamento Geral da União (OGU) para a execução de políticas públicas voltadas para infância e adolescência previstas no Plano Presidente Amigo da Criança (PPAC). (Correio Braziliense - DF, Ulisses Campbell, 07/10/2006)