Jornalistas revelam os principais pontos de exploração sexual nas rodovias do Ceará
O jornal O Povo, de Fortaleza (CE), está publicando série especial com nove reportagens, resultantes do projeto vencedor do 3° Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística. Os repórteres percorreram seis rotas no Ceará para denunciar a exploração sexual de crianças e adolescentes em 50 pontos do estado. O material será publicado até o dia 25 de dezembro. Ao lado de Cláudio Ribeiro, os jornalistas Luiz Campos, Demitri Túlio, Felipe Araújo, o repórter-fotográfico FCO Fonteneli e o motorista Waldir Gomes percorreram mais de quatro mil quilômetros. A investigação foi cuidadosa. Entre as precauções, os jornalistas analisavam o grau de risco nos locais antes de se identificarem como profissionais de imprensa. Também foi adotada uma série de medidas para preservar as crianças e não colocá-las em risco por causa da apuração. Cláudio Ribeiro enfatiza o grande número de denúncias. "Encontramos mil e uma histórias. Havia até uma rede de comerciantes que se aproveitava de meninas", relata. O repórter elege um pátio de caminhões, localizado no Posto Fiscal da Fazenda no Município de Pena Forte, como o lugar mais crítico. Segundo ele, crianças de 12 a 14 são vítimas freqüentes de exploração no local. A equipe de O Povo é otimista em relação aos resultados da série de reportagens. "As denúncias vão ter desdobramento. A investigação acontece em um momento oportuno, porque aproveitamos a transição de governos para cobrar mais responsabilidade", diz Ribeiro. Iniciativa promovida pela ANDI e o Instituto WCF-Brasil, o Cincurso Tim Lopes estimula a mídia a produzir reportagens aprofundadas sobre a violência sexual, no sentido de investigar o problema e apontar possíveis soluções. Para isso fornece apoio técnico e financeiro aos repórteres premiados para que desenvolvam suas pautas. O projeto tem o apoio técnico do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), da OIT (Organização Internacional do Trabalho), da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e da ABRAJI (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).