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Desafios Superados

Tendo em conta que o ano de 2004 foi um ano de eleições municipais era inevitável que o desenrolar das campanhas políticas,das alianças entre os partidos, da situação dos governadores em exercício e dos candidatos influíssem, em alguns Estados, na organização da Caravana Nacional. Mesmo assim, é importante ressaltar que, independente das dificuldades e adversidades , todos os Fóruns Estaduais de Erradicação do Trabalho Infantil cumpriram sua parte no trabalho, contribuindo decisivamente para a realização de um evento de caráter nacional sobre o tema do trabalho infantil. Realizar a Caravana exigia deslocar um número de crianças entre os Estados, o que provoca questionamentos com relação as possibilidades de cada Fórum assumir a responsabilidade pela segurança das crianças mobilizadas, evitar problemas de freqüência escolar do trabalho infantil. A solução foi realizar encontros Estaduais entre grupos de crianças e adolescentes de Estados Limítrofes ou próximos. Assim, decidiu-se reunir crianças de cada Unidade Federativa, sendo que um número reduzido delas faria a ligação entre esses encontros, se deslocando de seus Estados para o Estado vizinho. Outro desafio consistia em fazer coincidir o andamento da Caravana, seu cronograma, com as agendas dos governadores de cada Estado. O Efeito político e simbólico da Caravana não seria completo se faltasse a assinatura de um dos governadores ou do Presidente da República ao Termo e Compromisso, apresentados pelas crianças nas audiências com os chefes do Poder Executivo. Foi necessário grande esforço de articulação para manter a agenda da Caravana, ao esmo tempo, coordenar os encontros com os governadores. O objetivo era marcar 27 audiências com governadores e com o Presidente da República, com a finalidade de que os mesmos assinassem o Termo de Compromisso Pela Erradicação do Trabalho Infantil. Os integrantes dos Fóruns Estaduais e do Fórum Nacional deviam concentrar seus esforços para garantir que todas as audiências acontecessem com sucesso. Uma carta de solicitação de audiência com os governadores foi elaborada pelo GT 10, e assinada pelo Secretário Especial de Direitos Humanos, Ministro Nilmário Miranda, pelos representantes da UNICEF e OIT, à época, Reiko Nimi e Armand Pereira respectivamente, bem como pela Secretária Executiva do FNPETI, Isa Oliveira. Apesar das dificuldades, os governadores (com exceção de Goiás e do Acre, que foram representados pelos seus vices) e o Presidente da República compareceram ao encontro com as crianças garantindo assim o valor simbólico, político e histórico desta estratégias de sensibilização e mobilização. Já que um dos objetivos era garantir um espaço de participação das crianças e dos adolescentes, outra ação constituí em prepará-los, particularmente, em temas como o funcionamento das estruturas de poder e os possíveis canais de participação. Cada um dos fóruns Estaduais deveriam então criar oportunidades de formação para permitir que as crianças e os adolescentes se tornassem sujeitos ativos e conscientes de suas reivindicações e elaborassem, após discussão conjunta, uma Carta Aberta para entregar ao governador, com denúncias dos problemas no Estado. Esse objetivo foi atingido com pleno êxito na maioria das Unidades.