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CNBB diz que Bolsa Família "acomoda população pobre"

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez na última sexta-feira (17) duras críticas ao programa Bolsa Família. A avaliação da entidade é que o programa leva "ao vício e à acomodação da população pobre". "É só uma ajuda pessoal e familiar. É verdade que 11 milhões de famílias recebem no Nordeste e no Norte, mas isso levou a uma acomodação, a um empanzinamento. Parece que não há visão de crescimento, desenvolvimento e inserção", afirmou o presidente da Comissão Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz, dom Aldo Pagotto, arcebispo de João Pessoa (PB). Para ele, o Bolsa Família precisa ser revisto. "A nossa sugestão seria rever profundamente. Precisamos de escolas técnicas, cursos profissionalizantes, inserção no mundo do trabalho, gerar oportunidades de estudos. Como está sendo levado adiante vicia", disse. Carro-chefe da campanha de reeleição de Lula, o programa foi criado para unificar diferentes programas (Bolsa Escola, Vale-Gás, Bolsa Alimentação) e atende hoje 11,1 milhões de famílias, segundo o governo. Resposta - O Ministério do Desenvolvimento Social reagiu às críticas da CNBB ao Bolsa Família, no domingo (19). A pasta divulgou uma nota na internet em que cita vários estudos que defendem o programa. Na nota, o ministério cita um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no qual o instituto diz que se os atuais programas sociais do governo fossem extintos, o número de indigentes passaria de 11% para 22% da população. (Folha de S. Paulo - SP, Silvio Navarro; O Estado de S. Paulo; Correio Braziliense; Jornal de Brasília, 18/11/2006)