Revista Marie Claire lança campanha de repúdio ao turismo sexual
A edição de abril da revista Marie Claire, da Editora Globo,
convoca as leitoras e leitores a participar de uma campanha contra o
turismo sexual. A principal reportagem da publicação, que comemora os
16 anos, tem chamada de capa intitulada Turismo Sexual - A vergonha que contamina nossas praias e mostra a exploração de meninas, em Fortaleza, por turistas estrangeiros.
Assinada por Carla Leiner, Antônio Gaudério (fotos), com a colaboração
de Bianca Donatangelo, a matéria acompanha o dia-a-dia de jovens e
adolescentes que vendem o corpo e denuncia: "Acabar com a exploração
sexual de crianças e adolescentes foi promessa da primeira gestão do
presidente Lula, reforçada no último Carnaval. Mas a verdade é que
muito pouco foi feito. Se continuarmos assim, o Brasil poderá desbancar
a Tailândia e se transformar no campeão mundial do turismo sexual".
As fotos não deixam dúvidas quanto à facilidade com que agem os
turistas. Há ainda declarações como a de um alemão que afirma, sem
meias palavras, "fui para o Brasil por uma única razão: transar".
Cartas - Ao final das 12 páginas da reportagem, a
revista convida "os que ficaram indignados" a participar da campanha. A
idéia é pressionar as autoridades para que tomem medidas concretas
contra esse tipo de turismo. As cartas (há um formulário próprio para
ser preenchido) serão encaminhadas ao governo no dia 18 de maio - Dia
Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e
Adolescentes.
Entre as medidas propostas estão: estimular as denúncias por meio do
telefone gratuito 100; encorajar a indústria do turismo a assinar o Código de Conduta do Turismo contra Exploração Sexual Infanto-Juvenil; aumentar a punição dos abusadores; assistência imediata às vítimas e distribuição de folhetos informativos aos turistas.
A campanha da Marie Claire
tem apoio da Frente Parlamentar pelos Direitos da Criança e do
Adolescente e do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de
Crianças e Adolescentes.
"É preciso acabar com esse comércio abusivo e dar fim à exploração
sexual de crianças e adolescentes. Participe desta campanha e ajude a
mudar essa realidade", convoca Mônica Serino, diretora de redação da
revista, que integra a rede Jornalista Amigo da Criança.