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"O mais importante foi que eles nunca deixaram a gente trabalhar"

A frase é de Esaú Santos que, apesar de todas as adversidades, aos 16 anos de idade, passou em primeiro lugar para medicina na Universidade Estadual de Pernambuco. Leia mais ...

A frase é de Esaú Santos que, apesar de todas as adversidades, aos 16 anos de idade, passou em primeiro lugar para medicina na Universidade Estadual de Pernambuco

A história de Esaú da Silva Santos, que aos 16 anos de idade passou em primeiro lugar na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Pernambuco, apresentada no Domingão do Faustão (TV Globo), mostra a importância da consciência familiar contra o trabalho infantil.

Com o pai, a mãe e o irmão, ele mora na zona rural de Jaboatão dos Guararapes a 18 quilômetros do Recife. A família tem uma renda familiar de aproximadamente R$ 140,00. Na casa simples, não há fogão, nem geladeira. Apesar disso, Faustão chamou a atenção, a casa tem uma estante com livros. Ao apresentador, Esaú disse que, apesar de todas as dificuldades, seus pais nunca quiseram que ele e seu irmão trabalhassem.

Faustão elogiou a postura da família. "Geralmente, diante das primeiras dificuldades, os pais tiram os filhos da escola e põem para trabalhar", observou. Quitéria dos Santos afirmou que ela e o marido sempre viram "a educação como uma forma de viver melhor". Num ponto, os dois sempre concordaram: "Seria melhor que eles se dedicassem aos estudos ao invés de trabalhar, vendendo amendoim, picolé, e não ter tempo para se dedicar aos estudos e chegar ao ponto que Esaú chegou".

O filho, agora com 18 anos, também concorda: "O mais importante foi que eles nunca deixaram a gente trabalhar". Para ir de casa à faculdade, Esaú anda 30 minutos a pé, uma hora no primeiro ônibus e mais 30 minutos no segundo.

A mãe é vendedora da Avon e chegou a cursar dois semestres de uma faculdade, mas não pôde prosseguir os estudos. O pai, Severino da Silva, é alfabetizado e cultiva uma horta para ajudar na renda da família. Ele lembrou que, às vezes, os filhos tomavam caldo de cana para ir à escola, pois não tinham outra coisa pra comer.

Sem fazer cursinho, Esaú, que está no terceiro semestre de medicina, passou ainda nos vestibulares para Engenharia Química e Farmácia. "Sempre gostei de estudar e tudo isso é fruto de muito esforço", afirmou. O irmão, Jacó, de 19 anos, cursa Ciências Sociais.

Presentes ao programa, a atriz e escritora Maitê Proença e o jornalista Renato Machado, elogiaram a postura de Quitéria e Severino. Para Machado, é possível transformar o País "se exemplos como o dessa família se multiplicarem e os pais nunca perderem a perspectiva de que os filhos não devem trabalhar, mas estudar". Faustão concluiu afirmando que o exemplo da família Silva Santos - apresentada como uma história de superação - mostra a "essencial importância da educação".