Estudo sobre a inserção de jovens no tráfico é lançado pelo Observatório de Favelas
O Observatório de Favelas lançou nesta quinta-feira (23/11) pesquisa que realizou, nos últimos dois anos, sobre a inserção de crianças, adolescentes e jovens no tráfico de drogas. Leia mais ...
O Observatório de Favelas lançou nesta quinta-feira (23/11) pesquisa que realizou, nos últimos dois anos, sobre a inserção de crianças, adolescentes e jovens no tráfico de drogas. Neste período, foram acompanhados 230 jovens, com idades entre 11 e 24 anos, de 34 comunidades populares do Rio de Janeiro.
Pelo menos 46 jovens (entre os 230) morreram ao longo da pesquisa. Do universo pesquisado, apenas 7% ainda estudavam ao final dos dois anos, mas 90% afirmaram que sabiam ler e escrever. Quase metade desistiu de estudar entre os 11 e 14 anos, faixa etária que coincide com a entrada no tráfico de drogas. A inserção se dá principalmente pela motivação econômica e falta de acesso ao mercado de trabalho. Nos cinco primeiros meses da pesquisa, 15 jovens foram assassinados, sendo 66% dessas mortes causadas por policiais.
Ao final da pesquisa, foi possível verificar que quase 40% afastaram-se do tráfico de forma voluntária, "o que indica a relevância de trabalhar na construção de alternativas para os que saem da rede".
Os resultados do estudo "Trajetória de crianças, adolescentes e jovens inseridos nas redes de tráfico de drogas no varejo no Rio de Janeiro - 2004/2006" foram apresentados na sede do Observatório de Favelas, no Complexo da Maré, no Rio. A pesquisa é uma das vertentes do programa Rotas de Fuga: Ações integradas para crianças e jovens inseridos na rede social do tráfico de drogas e seus familiares. Coordenado pelo Observatório de Favelas, o programa é apoiado pela Organização Intereclesiástica para a Cooperação ao Desenvolvimento (ICCO), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Além disso, envolve um conjunto de entidades públicas e da sociedade civil atuantes no campo da promoção e defesa dos direitos humanos no Brasil.