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Denúncias revelam maus-tratos em quem sonha se tornar jogador de futebol

Trinte e cinco crianças e adolescentes, que chegaram ao Rio com o objetivo de se tornarem jogadores de futebol, estavam em uma clínica que foi transformada em alojamento improvisado.

A polícia do Rio de Janeiro está investigando denúncias de maus-tratos a 35 crianças e adolescentes, que chegaram à cidade com o objetivo de se tornarem jogadores de futebol. Eles estavam em uma clínica que foi transformada em alojamento improvisado.

Apesar de a Vigilância Sanitária ter interditado o local, os jovens ainda passaram a noite da terça-feira (1o) na clínica. Nenhum dos adolescentes é do Rio. A maioria veio dos estados do Paraná e Maranhão. As crianças serão levadas para abrigos e depois vão voltar para a casa dos pais.

Quatro jovens já prestaram depoimento na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Os meninos têm entre 13 e 17 anos e moravam no prédio há pelo menos quatro meses. Ao todo, 23 deles não tinham autorização dos pais.

De acordo com os policiais, os meninos viviam em condições precárias. Bebiam água direto da bica, bem ao lado da lixeira, e faziam apenas uma refeição por dia, em um restaurante popular.

Em entrevista ao telejornal Bom Dia Rio, Cléber Fonseca, responsável pelo abrigo, disse que cobra das famílias uma mensalidade até que os adolescentes sejam chamados por um time. Ele afirmou que os jovens treinam em dois campos do bairro e que estão matriculados em uma escola pública. Ele disse ainda que os meninos fazem três refeições diárias e os que estão sem autorização é porque chegaram há pouco tempo.

Cléber Fonseca foi indiciado por exercício ilegal da profissão. Segundo os policiais, ele trabalhava como agente de futebol sem ter um documento obrigatório que é o credenciamento da Fifa. Cleber também deve responder a processo por alojar adolescentes sem autorização dos pais. A polícia quer saber agora se os meninos sofriam maus-tratos.

Fonte: Agência Globo