JULHO
Artigo analisa abandono e exploração de crianças brasileiras
Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, o sociólogo e secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Floriano Pesaro, fala sobre o trabalho infantil. De acordo com Pesaro, no mês em que o mundo se mobiliza para discutir as formas de combate ao problema, é sintomático existirem ainda crianças sobrevivendo nas ruas das grandes cidades do País. "Elas são a ponta do iceberg da tragédia social brasileira. Além do trabalho infantil, exibem as chagas da violência, do abandono, da exploração, do descaso, da omissão e de todos os dramas intrínsecos à miséria humana", observa. Filhas desse bolsão de pobreza metropolitano, diz, as 2,1 mil crianças exploradas na cidade de São Paulo migram para as regiões centrais da cidade para trabalhar. "Longe de casa e das escolas, estão expostas à violência moral, física e sexual", ressalta. Segundo Pesaro, em se tratando de um tema tão complexo, é imperativo que as divergências sejam suprimidas na busca de um consenso em torno da estratégia adotada. "Urge trabalharmos em rede, com sinergia e sincronismo, estabelecendo papéis e diretrizes claras, compromissos concretos para a erradicação definitiva do trabalho infantil, evitando superposições de tarefas e desperdício de recursos", analisa. Para o sociólogo, a população é peça fundamental na resolução desse enredo. "As pessoas precisam entender que, ao dar esmola ou comprar produtos de uma criança nas ruas, estão contribuindo com o trabalho infantil, comprometendo o futuro dessa criança, de sua família e de toda a sua comunidade com a perpetuação da miséria. Não é dando dinheiro que se ajuda uma criança", comenta. (Folha de S. Paulo - SP, Floriano Pesaro, 04/07/2006)
Belo Horizonte reduz índice de trabalho infantil nas ruas
O número de crianças e adolescente com até 18 anos trabalhando nas ruas de Belo Horizonte caiu 33,29% desde novembro de 2004, quando a Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social divulgou o primeiro censo. O levantamento do trabalho infantil na capital mostrou, na época, que 781 meninos e meninas ganhavam dinheiro no comércio das ruas. Hoje, são 260 crianças e adolescentes, segundo a secretária de Assistência Social, Rosilene Cristina Rocha. Para dar continuidade à campanha, que orienta a população a não dar esmolas ou comprar produtos de crianças e adolescentes, a Praça Sete ganhou ontem (4) um dia de mobilização, com esquetes teatrais e distribuição de cartilhas informativas. Essa é a terceira etapa do movimento contra o trabalho infantil, iniciativa que, além da sensibilização da população no Centro, deverá iniciar, na próxima semana, um ciclo de palestras nas nove administrações regionais. Foram convidados profissionais de postos de saúde, escolas, conselheiros tutelares e associações de bairro para participarem das palestras. "Essa etapa da campanha vai ser importante para tratar do problema do trabalho infantil de uma forma preventiva", explica a promotora da Infância e Juventude de Belo Horizonte, Maria de Lourdes Santa Gema. (Estado de Minas - MG, Cristiana Andrade e Glória Tupinambás; Hoje em Dia - MG; O Tempo - MG, Magali Simone, 05/07/2006)
Governo cancela 50 mil benefícios do programa Bolsa Família
O
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) informou ontem (10) que até
o final desta semana deverão ser bloqueados o cadastro de 50 mil
beneficiários do programa Bolsa Família que estão recebendo o auxílio
em duplicidade. Um
levantamento feito por amostragem pelo jornal Correio Braziliense em
três municípios de estados distintos (Goiás, Minas Gerais e Bahia)
revelou a ocorrência de 52 repetições de nomes nos cadastros do Bolsa
Família. Projetado para o total de 11,1 milhões de beneficiários do
programa, esse percentual indica que os casos de duplicidade podem
chegar a 156 mil pessoas e envolver R$ 9,5 milhões mensais. Segundo
nota divulgada ontem (10) pelo MDS, casos de duplicidades "ocorrem
devido a falhas no fornecimento de informações quando do cadastramento
das famílias, em especial nos cadastros dos programas remanescentes,
como Bolsa Escola e Auxílio Gás, que estão sendo unificados no Bolsa
Família". (Correio Braziliense - DF, Solano Nascimento, 11/07/2006)
Editorial afirma que programas de transferência de renda devem formar cidadãos
Em editorial, o Jornal da Tarde afirma que o Brasil precisa adotar uma estratégia de intervenção social focalizada nos mais pobres e nos territórios mais carentes de serviços públicos. Segundo a publicação, é preciso uma estratégia que ofereça oportunidades de acesso prioritário aos serviços universais de saúde e educação, e políticas de habitação, trabalho, cultura e esporte. "Uma política que garanta direitos básicos. Que transforme os beneficiários de programas de transferência de renda em cidadãos ativos e responsáveis, não em dependentes eternos de programas assistenciais". De acordo com o diário paulista, apesar de cumprirem a função de completar a renda dos mais pobres, os programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, correm o risco de perder o foco ao não conseguir emancipar as famílias da situação de pobreza estrutural. "O combate à pobreza passa, necessariamente, por ações locais no território em que as famílias mais carentes moram, articulando redes de serviços públicos governamentais e não-governamentais", diz o texto. (Jornal da Tarde - SP, 12/07/2006)
Carga de trabalho reflete no desempenho escolar
A coluna Poucas e Boas, do jornal Folha de S. Paulo, fala da dissertação de mestrado da Universidade de São Paulo (USP) que esmiuçou uma impressão geral: crianças e adolescentes que trabalham mais de duas horas por dia apresentam queda de rendimento escolar. E cada hora trabalhada, a partir dessas duas, se traduz em um desempenho ainda pior. De acordo com o texto, o economista Márcio Eduardo Bezerra, autor da dissertação, utilizou dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) sobre 300 mil alunos da 4ª e da 8ª séries do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio de escolas públicas e privadas. "Entre os estudantes que trabalham no próprio domicílio há queda de rendimento menos acentuada: foram de 6 a 9 pontos perdidos na variável ‘desempenho escolar', contra 12 pontos dos estudantes que trabalham fora". Segundo a coluna, o pior desempenho foi de alunos com jornada nos dois ambientes e superior a sete horas por dia. "Dados de 2003 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 8,1% dos brasileiros de 7 a 15 anos estudam e trabalham, índice considerado alto, mas que vem diminuindo". (Folha de S. Paulo - SP, 13/07/2006)
Pouco mais de 2 mil beneficiados se desligaram voluntariamente do Bolsa Família
O
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) registrou 2.099 casos de
desligamento voluntário do programa de transferência de renda do
governo. Pessoas que supostamente melhoraram de vida e abriram mão do
benefício. O número é pequeno para os críticos do Bolsa Família, que
enxergam riscos de "dependência" dos beneficiários à bolsa de R$ 15 a
R$ 95 mensais - o valor varia de acordo com o grau de pobreza e do
número de filhos das famílias. Mas o número dos que abriram mão
espontaneamente do benefício é considerado "significativo" pelo
ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) diante do tempo de
existência do programa. Segundo ele, a emancipação das famílias passou
a ser o principal objetivo do Bolsa Família num eventual segundo
mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Patrus diz que a ocupação e renda
dos beneficiários são coisas que levam tempo. "Não se promove a
inclusão social num passe de mágica."
Sobre o programa - O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda para famílias pobres (com renda mensal por pessoa de R$ 60,01 a R$ 120,00) e extremamente pobres (com renda mensal por pessoal de até R$ 60,00). Os valores pagos variam de R$ 15,00 a R$ 95,00, de acordo com a renda e número de crianças. Para entrar no programa os pais se comprometem a manter suas crianças e adolescentes freqüentando a escola e a cumprir cuidados básicos em saúde, como o calendário de vacinação para as crianças de 0 a 6 anos e agenda pré e pós- natal para gestantes e mães amamentando. (Folha de S. Paulo - SP, Marta Salomom; Correio Braziliense - DF, 17/07/2006)
Editorial defende expansão do mercado de trabalho para erradicação da pobreza
Em editorial, o jornal Folha de S. Paulo diz que o programa Bolsa-Família tem caráter assistencial e que apenas a expansão do mercado de trabalho pode emancipar seus beneficiários. De acordo com o diário paulista, desde o início do projeto, em outubro de 2003, houve 2.099 casos (0,37% das pessoas diretamente atendidas) de devolução do cartão do benefício. "Fatia significativa dos que desistiram não foi para o mercado de trabalho, apenas trocou um programa de assistência social por outro". De acordo com o texto, a meta de "emancipar o maior número possível de famílias", enunciada pelo ministro Patrus Ananias, extrapola as fronteiras de um programa de renda mínima. "Está além dos limites até dos projetos mais modernos, que corretamente se preocupam, como é o caso em tela, em conectar beneficiários a iniciativas em saúde, educação e treinamento profissional". Para a Folha de S. Paulo, o que decidirá a capacidade de emancipação dessa massa de mais de 30 milhões de pessoas será o nível de investimento - público e sobretudo privado - na ampliação dos postos de trabalho nos próximos anos. (Folha de S. Paulo - SP, 18/07/2006)
Inscrições para o 3º Prêmio Tim Lopes vão até 31 de julho
Estarão abertas até o dia 31 de julho as inscrições para a terceira edição do Prêmio Tim Lopes de Investigação Jornalística, com o tema Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A proposta do concurso é premiar sugestões de pautas especiais sobre o tema. Os escolhidos em cada categoria recebem apoio financeiro e técnico para realizar as reportagens, além de prêmio em dinheiro. O regulamento e demais informações podem ser obtidos no site da Agência de Notícias do Direito da Infância (ANDI): www.andi.org.br/timlopes. (Correio Braziliense - DF, 18/07/2006)
PR: Ciranda promove ações de combate à exploração sexual
A equipe da Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência (Ciranda), no Paraná, esteve no início da semana no pátio de triagem do Porto de Paranaguá para ações de mobilização e prevenção à exploração sexual de crianças e adolescentes. Na ocasião, a equipe abordou caminhoneiros para esclarecer sobre o problema. A ação faz parte do projeto Navegando nos Direitos, que tem como objetivo sensibilizar e orientar a sociedade para prevenir e combater os casos de violência. De acordo com a gestora do projeto, Andressa Grilo, os encontros acontecerão no pátio todas as segundas e terças-feiras até o mês de setembro. "Entregamos o guia da estrada, que contém informações sobre o tema e também sobre como agir quando testemunhar ou flagrar um caso de exploração sexual". A meta é sensibilizar diretamente 1,1 mil caminhoneiros e, indiretamente, dez mil, com a intenção de formar multiplicadores de informação. (Jornal do Estado -PR; Folha de Londrina-PR, 19/07/2006)
SE: Justiça fiscalizará exploração do trabalho infantil durante as eleições
A Procuradoria do Trabalho vai fiscalizar a exploração de mão-de-obra infanto-juvenil durante a campanha eleitoral. Os candidatos e partidos políticos que desrespeitarem a lei serão punidos com multa de R$ 1 mil por cada criança flagrada trabalhando na campanha, além de responderem processo por exploração do trabalho infantil. Os candidatos também terão que pagar multa por danos morais com o valor revertido ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente. Em Sergipe, o Procurador do Trabalho e membro da coordenadoria da Infância, Maurício Coentro de Melo, se reuniu com representantes dos partidos políticos para alertar os candidatos sobre a medida. A Procuradoria do Trabalho entende que passar o dia na rua, abrindo faixas em cruzamentos e distribuindo santinhos torna a criança mais vulnerável a atropelamentos, assaltos, exploração sexual, além de facilitar a ação de aliciadores para práticas criminosas. (Jornal da Cidade - SE, Célia Silva - 20/07/2006)
PE: novas ações para o combate ao turismo sexual infanto-juvenil
O combate ao turismo sexual envolvendo crianças e adolescentes terá uma nova linha de atuação em Pernambuco. Uma ação integrada será promovida pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Cidadania em 24 municípios que fazem parte da Região Metropolitana do Recife (PE). Com a medida, as cidades terão como meta para os próximos quatro anos a formulação de um Plano de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil. A secretária de Desenvolvimento Social de Pernambuco, Lígia Leite, qualificou o trabalho como preventivo e adiantou que a primeira reunião conjunta com os municípios ocorre ainda este mês. Pernambuco é o quarto destino do Nordeste mais procurado por turistas estrangeiros.
Nordeste - Com o objetivo de discutir formas de combate ao turismo sexual infanto-juvenil, representantes dos governos de Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraíba e Alagoas se reuniram ontem (19), em encontro promovido pela Fundação Centro Integrado de Turismo do Nordeste (CTI-NE). Foi decidido que os estados formularão um código de conduta, que deve incluir o monitoramento de vôos fretados com tripulação de maioria masculina e a proibição, nos hotéis, de visitas recebidas no quarto. (Folha de Pernambuco - PE, Lamir Verçoza, Diario de Pernambuco - PE, 20/07/2006)
Campanha internacional vai alertar sobre o turismo sexual no Nordeste
O Ministério do Turismo e o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) lançarão nos paises estrangeiros com maior demanda de visitantes para o Nordeste uma campanha de conscientização para inibir o turismo sexual com crianças e adolescentes. De acordo o presidente da Embratur, Geraldo Bentes, a intenção é alertar os paises sobre o mal e mostrar o Brasil com uma imagem positiva. "Este tipo de exploração não é novidade, mas queremos acabar com o mal já pelo início". A proposta de iniciativa está sendo apresentada para os dirigentes da área de saúde, educação, segurança e cultura dos estados do Nordeste. A previsão é que a partir de setembro o projeto seja lançado no exterior. (O Paraná - PR, 20/07/2006)
Jornada excessiva compromete educação de jovem trabalhador
Pesquisa aponta precarização no emprego de mão-de-obra juvenil no comércio; "Além de cumprir uma excessiva jornada de trabalho, o jovem recebe baixos salários e fica impedido de ir para uma universidade"
Jovens de 16 a 24 anos têm um perfil adequado aos interesses dos empregadores no setor do comércio. Mas os benefícios de ocupar uma vaga com a perspectiva de garantir o próprio sustento e de ajudar financeiramente a família podem esbarrar na suspensão dos estudos e impedir que esse trabalhador evolua profissionalmente. Só na cidade de São Paulo, trabalham 428 mil pessoas no comércio. Desse total, 172 mil (40%) estão com idade entre 16 e 24 anos. Além de cumprir uma carga que pode chegar a 56 horas semanais (acima das 44 horas previstas na legislação trabalhista), muitos desses jovens ganham salários mais baixos do que a média de empregados. Esses foram os principais pontos identificados na pesquisa O Jovem Comerciário: o Binômio Educação e Trabalho, feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) e o Sindicato dos Comerciários de São Paulo. "Constatamos que há uma precarização nesse tipo de mão-de-obra, o que é ruim para o País, pois esse jovem, além de cumprir uma excessiva jornada de trabalho, recebe baixos salários e fica impedido de ir para uma universidade", observa o presidente do sindicato, Ricardo Patah.
Números - Segundo o levantamento, 25% dos comerciários conseguem freqüentar a escola, embora 89,2% tenham demonstrado o interesse em completar os estudos. Em relação a outras áreas, o comércio é a que mais absorve mão-de-obra jovem. Enquanto na indústria 17,4% são jovens dessa faixa etária e 16,9% têm acima 25 anos, no comércio, esse percentual sobe para 21,3% entre os jovens de 16 a 24 anos e para 14,6% para quem tem mais de 25 anos. (Valor Econômico - SP, 21/07/2006)
OIT lança curta-metragem com alerta sobre trabalho infantil
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) colocou à disposição na Internet um curta-metragem em que denuncia a situação de mais de 200 milhões de crianças que trabalham em regime de escravidão ou são vítimas de exploração sexual. A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) busca alertar a comunidade internacional que, apesar de o número de crianças exploradas no mundo ter caído 11% entre 2000 e 2004, continua sendo necessária a luta contra essa forma de exploração. O vídeo destaca que a idade das crianças varia entre 5 e 15 anos, e que muitas delas realizam tarefas perigosas e em ambientes inapropriados. A OIT trabalha para que todas as crianças deixem o trabalho e ingressem na escola, e se compromete a ajudar os países a lutar contra o trabalho infantil. O vídeo está disponível no site http://www.ilo.org/. (Jornal de Brasília - DF;O Estado do Paraná - PR, 23/07/2006)
1,5 mil jovens camponeses debatem reforma agrária em Brasília
Cerca de 1,5 mil jovens camponeses de todos os estados, integrantes de mais de 20 movimentos sociais, estão reunidos desde domingo (23) em Brasília para debater reforma agrária e agricultura familiar. Ontem, o grupo discutiu projetos específicos para incentivar o jovem da zona rural a se fixar no campo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 18% da população que vive no campo são jovens com idade entre 16 e 21 anos. De acordo com a Pastoral da Juventude Rural, entidade ligada à Igreja Católica e organizadora do evento, 200 mil jovens estão em acampamentos à espera de um lote. Outros 1,8 milhão já possuem seu próprio lote em assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas enfrentam os mesmos problemas que os assentados adultos, como falta de estrutura e financiamento. Segundo o coordenador do evento, bispo dom José Mauro, ao contrário do que muita gente imagina, os jovens da atualidade não abandonam mais o campo rumo aos grandes centros, na proporção de antigamente. "A maior prova disso é a presença em massa de jovens aqui neste encontro", ressalta. (Correio Braziliense - DF, Ullisses Campbell, 25/07/2006)
Deputado acusado de exploração sexual se candidata a novo mandato
Dos 24 deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal, oito respondem a acusações do Ministério Público por suposta participação em crimes diversos. Todos os envolvidos são candidatos à reeleição ou a um mandato na Câmara dos Deputados. Um dos casos mais controversos envolveu o distrital e ex-presidente da Câmara Benício Tavares (PMDB). Ele foi acusado de explorar duas adolescentes durante pescaria na Amazônia, há dois anos. Benício sempre negou envolvimento no caso e sua defesa alega que as provas são inconsistentes. O Ministério Público, no entanto, está convencido da culpa do parlamentar, assim como do desvio de recursos da Associação dos Deficientes Físicos do Distrito Federal, entidade fundada por ele que recebia subvenções do Governo Federal. (Correio Braziliense - DF, Ana Maria Campos, 26/07/2006)
Produção cinematográfica aborda exploração sexual infanto-juvenil
O filme Anjos do Sol, produção que será exibida no 34º Festival de Gramado, é resultado de nove anos de pesquisa do cineasta Rudi Lagemann sobre a violência sexual contra meninos e meninas no Brasil. O filme aborda e desvenda a engrenagem que move o comércio sexual de crianças, reconstituindo a realidade de milhares de adolescentes. Segundo Lagemann, a rede de exploração sexual infantil no País atinge atualmente cerca de 100 mil crianças e adolescentes. "Há uma maior concentração nas cidades litorâneas, como Belém, Fortaleza, Recife e Salvador, além de cidades do interior", explica. Para a coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, senadora Patrícia Saboya Gomes (PSB-CE), o filme traz diversos aspectos relacionados ao problema, "como a machista prática do leilão de virgens, o drama das adolescentes que acabam se tornando eternas escravas de seus cafetões, o risco constante de doenças sexualmente transmissíveis e de uma gravidez não planejada", diz. Em 2004, ela presidiu a comissão parlamentar mista de inquérito que investigou a exploração sexual infanto-juvenil no Brasil. (Valor Econômico - SP, Elaine Guerini, 28/07/2006)
Governo falha na fiscalização do Bolsa-Família
Um ano e oito meses após o governo definir regras de acompanhamento dos beneficiários do programa Bolsa-Família,
o Ministério da Saúde ainda não tem dados de 68% das famílias que
deveriam ser monitoradas. Isso significa que 4,9 milhões de famílias
beneficiadas pelo programa não foram acompanhadas no último semestre
para saber se cumpriram a condicionalidade de saúde. Ou seja, se estão
mantendo a vacinação de crianças menores de sete anos em dia e se as
gestantes têm comparecido a consultas de pré-natal. Estão no universo
de 7,3 milhões de famílias. O primeiro boletim divulgado, referente a
outubro e novembro de 2004, mostrava que 49% das crianças em idade
escolar incluídas no Bolsa-Família não eram acompanhadas.
Praticamente um ano depois, em agosto e setembro de 2005, o índice caiu
para 22,5%. Segundo a coordenadora da Política de Alimentação e
Nutrição do Ministério da Saúde, Ana Beatriz Vasconcellos, alguns
municípios e capitais desenvolvem sistemas próprios de gerenciamento
das condicionalidades e nem sempre repassam os dados para a União.
(Folha de S. Paulo - SP, Luciana Constantino, 30/07/2006)
Artigo destaca compromisso do setor turístico no combate à exploração sexual
O presidente da Federação de Convention e Visitors Bureau do do Paraná, Adonai Arruda, aponta que essa forma de exploração compromete o presente e o futuro do País
Em carta publicada no Jornal do Estado, o presidente da Federação de Convention e Visitors Bureau do Paraná (FCVB- PR), Adonai Aires de Arruda, aponta que a exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo é crime e compromete o presente e o futuro do País. De acordo com Aires, muitos setores turísticos são convenientes com o turismo sexual infantil. Levantamento feito em 2001 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e Juventude (UNICEF), revela que, no Brasil, o número de crianças exploradas pode chegar a 100 mil. Aires lembra ainda que no Paraná existe o programa Turismo Sustentável e Infância, lançado pelo Ministério do Turismo (Mtur) e parceiros, com objetivos de mostrar como o turismo pode proteger as crianças e adolescentes da exploração sexual e como o profissional deve agir nestas situações, numa ação que visa sensibilizar, mobilizar e qualificar a cadeia produtiva do turismo para uma ação responsável em prol da infância no Brasil. "A meta nacional é sensibilizar 40 mil trabalhadores que integram a cadeia produtiva do turismo, de modo a informar e instituir cidadãos comuns a participar como multiplicadores dos cuidados com a criança e o adolescente", diz.
(Jornal do Estado-PR, - 31/07/2006)
Preconceito ameaça vítimas de exploração sexual no Pará
Vítimas de uma rede de exploração sexual em Altamira, no Pará, 11 crianças e adolescentes estão são alvo de preconceito, discriminação e ameaças na cidade. Não bastasse a dor provocada pela violência que sofreram, as jovens ainda são ridicularizadas na rua e humilhadas na escola. Até um disquete, com fotos pornográficas das adolescentes, passou a ser comercializado na cidade. A violência contra as adolescentes foi parar na Justiça e virou um processo onde os indiciados são políticos e comerciantes da cidade. Dos 15 envolvidos denunciados pelo Ministério Público, 11 estão foragidos. No plenário da Câmara de Altamira, os nomes das meninas foram citados e as situações a que foram submetidas foram contadas nos detalhes. A divulgação pura e simples dessas meninas naquela situação já constitui crime segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), na opinião do promotor Edmilson Leroy. O Ministério Público, entidades que atuam na defesa dos direitos humanos, Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, setores da Igreja Católica e da sociedade de Altamira entraram no caso. (O Globo - RJ, Evandro Éboli, 30/07/2006)
Candidatos propõem poucas mudanças para o Bolsa Família
Quando o assunto é Bolsa-Família, os principais candidatos à Presidência são cautelosos ao propor mudanças
Quando o assunto é Bolsa-Família, os principais candidatos à Presidência são cautelosos ao propor mudanças. Sabem que a distribuição do benefício é um dos responsáveis pela liderança do presidente Lula nas pesquisas eleitorais, especialmente entre os eleitores mais pobres e os do Nordeste. A maior preocupação do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e da senadora Heloísa Helena (PSOL), por exemplo, é deixar bem claro ao leitor que não pretendem acabar com o projeto. Os programas de Alckmin e Heloísa falam em propostas gerais de associação a programas de desenvolvimento social e econômico, com geração de emprego. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), garante que não vai diminuir os valores pagos, mas é o que promete maiores mudanças. Já o PT não tem nenhum projeto específico para a área."Vamos melhorar para que não seja apenas a distribuição de valores monetários. Há falha na gestão da contrapartida exigida", diz o coordenador do programa do PSDB, João Carlos Meirelles. Candidato a vice-presidente na chapa do PSOL e responsável pelo programa do partido, o economista e professor César Benjamin pondera que o governo gasta na assistência, mas restringe o investimento em áreas essenciais, como saneamento. (O Estado de S. Paulo - SP, 31/07/2006)